Mais um abate de floresta denunciada pela S.O.S Rio Paiva

  • Abate de floresta em área protegida, incluindo carvalhos, medronheiros e outras árvores autóctones;
  • Intervenção ocorreu em Zona Especial de Conservação;
  • PAN questiona o Governo na Assembleia da República sobre o abate no Rio Paiva.

A Associação S.O.S. Rio Paiva denunciou mais um abate indiscriminado de árvores autóctones nas margens do Rio Paiva, mais concretamente em Castelo de Paiva, em terrenos que se encontram classificados como Zona de Proteção Especial da Rede Natura 2000.

A associação suspeita que este abate de floresta autóctone em zona protegida foi realizado de forma ilegal, tendo alertado as autoridades na expetativa de salvar as poucas árvores que ainda restavam no local. Entre as espécies que foram abatidas, encontravam-se castanheiros, carvalhos, medronheiros e adernos tendo a intervenção abrangido uma área significativa na encosta do rio, até cerca de 2 metros da linha de água, ou seja, incluindo terrenos que são do domínio público.

Infelizmente não é a primeira vez que tal ocorre neste troço final do Rio Paiva, tendo já sido denunciados abates de árvores e vegetação ripícola noutros locais da zona, substituindo floresta por plantações agrícolas ou infraestruturas turísticas. Além disso, as encostas do Paiva encontram-se densamente povoadas por plantações de monocultura de eucalipto, sendo que estas manchas de floresta nativa são fundamentais para a manutenção da biodiversidade e para garantir uma maior proteção em caso de incêndio.

Na sequência da denúncia efetuada pela S.O.S. Rio Paiva, o Partido PAN apresentou na Assembleia da República uma pergunta ao Governo, nomeadamente ao Ministério do Ambiente e Ação Climática, onde questiona o Ministro sobre este abate de árvores e quais as diligências efetuadas para apurar responsabilidades neste caso.

A pergunta pode ser consultada aqui: GP PAN: Pergunta ao MAAC – Rio Paiva

A Associação aguarda o resultado das diligências efetuadas pelas autoridades competentes e volta a alertar para a necessidade de ser implementado o plano de despoluição e proteção do Rio Paiva1 que foi recentemente aprovado na Assembleia da República, apenas com a abstenção do Partido Socialista.

Entre as medidas previstas, estão a monitorização e fiscalização das descargas poluentes, a contratação de uma equipa de guarda-rios para fiscalizar, vigiar e proteger os recursos hídricos e a biodiversidade do rio Paiva e dos seus afluentes e a promoção de medidas e ações de sensibilização e comunicação ambiental junto das comunidades locais dirigidas às empresas, à comunidade escolar e população em geral sobre a importância da preservação do rio Paiva e dos seus afluentes, no sentido de evitar práticas que conduzam à poluição das águas através de descargas sem o devido tratamento ou da deposição de resíduos sólidos, nomeadamente de resíduos de plástico nas margens dos cursos de água.

1. Resolução da Assembleia da República 261/20213ª – Recomenda ao Governo que tome medidas para monitorização, despoluição, valorização e defesa da sustentabilidade do rio Paiva e afluentes

Imagem do abate de árvores e vegetação nas margens do Rio Paiva em Castelo de Paiva (© SOS Rio Paiva 2021)

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