Invasoras no Vale do Rio Paiva: uma ameaça à biodiversidade nativa

Segundo Marchante ,“a invasão biológica por espécies exóticas é considerada a segunda maior causa para a perda de biodiversidade a nível global, sendo apenas ultrapassada pela destruição directa dos habitats.”
 
Uma espécie é considerada invasora quando é introduzida num ambiente que não é o seu natural e tem a capacidade de “aumentar muito a distribuição das suas populações”, o que nos casos melhor sucedidos acabam por ameaçar as espécies nativas e em casos extremos pode mesmo chegar a elimina-las.
 
Os impactos provocados por espécies invasoras são inúmeros, nomeadamente:
 
Ao nível económico, pois a invasão de terrenos agrícolas e florestais representa prejuízos quer na produção quer no investimento em medidas de contenção;
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  • Ao nível da saúde pública, porque algumas destas espécies provocam, por exemplo alergias, e são meio de propagação de pragas;
  • Diminuição da água disponível nos lençóis freáticos;
  • (Des)equilíbrio dos ecossistemas, “alteração dos regimes de fogo, das cadeias alimentares” e mesmo, “em alguns casos, a extinção de espécies”. (Marchante, 2005)
 
Apesar de existirem plantas, animais e microrganismos invasores, aqui apenas nos debruçaremos nas plantas, com especial destaque para as árvores.
 
Manchas amarelas de mimosas em flor no
vale do Paiva (Bairros – Castelo de Paiva)
No caso concreto do vale do rio Paiva, além dos problemas causados pela monocultura intensiva de eucalipto, as invasoras representam uma forte ameaça a este ecossistema. Se em alguns locais o “deserto verde” do eucalipto é compensado com margens frondosas e dotadas de espécies nativas, outros existem em que a margem está invadida de espécies exóticas. Por vezes passam despercebidas aos menos atentos, porém, nesta época do ano, as acácias ostentam as suas florações amarelas, o que coloca a descoberto a verdadeira dimensão deste problema. Da montanha dever-se-ía deslumbrar uma paisagem mesclada de freixos, salgueiros, amieiros (…), mas o que se vislumbra é uma mancha monocromática de amarelo.
Se as mimosas (Acacia dealbata) motivam este alerta, elas não são problema único, pois também as robinias (Robinia pseudoacacia), a árvore-do-paraíso (Ailanthus altíssima) e as austrálias (Acacia melanoxylon) roubam terreno às espécies autóctones. Também ao nível de plantas de pequenos porte as invasoras teimam em ocupar o vale do rio Paiva, com a presença frequente da figueira-do-inferno (Datuna stramoinium), da cana comum (Arundo donax) e do trevo azedo (Oxalis pes-caprae).
As espécies invasoras, enquanto destruidoras do habitat e das espécies nativas representam, conjuntamente com a poluição, a maior ameaça ao vale do rio Paiva. É urgente gerar sinergias com ARH, Instituto do Ambiente, Autoridade Florestal, ICNB,  Autarquias e demais entidades locais, bem como, particulares para travar este flagelo ambiental. A união de esforços para, por um lado controlar o avanço destas espécies exóticas, e por outro reflorestar com espécies nativas é, assim, uma questão ambiental, mas também económica, social e mesmo de saúde pública.
 
Luis Monteiro
[SOS Rio Paiva]
 
Referência bibliográfica:
Marchante, H.; Marchante, E. e Freitas, H. 2005. Plantas invasoras em Portugal – fichas para identificação e controlo. Ed. dos autores. Coimbra.
SOS Rio Paiva

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