Passadiço do Paiva: SOS Rio Paiva apresenta propostas à Câmara de Arouca

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Estacionamento nos acessos ao passadiço no lugar de Espiunca (margens do Rio Paiva)

 

A Associação S.O.S. Rio Paiva enviou esta sexta-feira, dia 6 de Novembro, um conjunto de propostas à Câmara Municipal de Arouca, com o objectivo de contribuir para o uso sustentável e responsável do passadiço do Paiva, que se encontra actualmente encerrado e a receber obras de manutenção, após o incêndio do passado dia 7 de Setembro, que destruiu parte da estrutura do passadiço e consumiu uma parte significativa da vegetação das margens do rio. A Associação acompanhou durante dois meses e meio o funcionamento do passadiço do Paiva, verificando com preocupação a elevada procura do espaço e o acesso em massa de visitantes às margens do rio Paiva, numa zona protegida e particularmente sensível do rio.

A S.O.S. Rio Paiva reconhece a importância da obra para a usufruição e contemplação da riqueza natural e paisagística do vale do Paiva, bem como os benefícios que o turismo pode trazer para o desenvolvimento local, mas não ignora os impactos negativos decorrentes da abertura ao público deste espaço, nomeadamente os problemas criados com o excessivo número de turistas, que segundo as informações publicadas na imprensa, chegaram a atingir os 10.000 visitantes num único dia. Lembra ainda a necessidade de adopção de medidas que valorizem o Sítio de Importância Comunitária Rio Paiva (Rede Natura 2000) conforme está definido na Directiva Habitats que estabelece no seu artigo 10º que “Quando julgarem necessário, no âmbito das respectivas políticas de ordenamento do território e de desenvolvimento, e especialmente a fim de melhorar a coerência ecológica da rede Natura 2000, os Estados-membros envidarão esforços para incentivar a gestão dos elementos paisagísticos de especial importância para a fauna e a flora selvagens”.

A S.O.S. Rio Paiva aguarda uma reunião com os responsáveis da Câmara de Arouca para analisar esta questão e conhecer os planos da autarquia para o futuro.

 

1. Principais problemas detectados nos primeiros meses de funcionamento do “passadiço do Paiva”:

a) Excesso de visitantes

O elevado número de visitantes no passadiço provocou um congestionamento acentuado nos acessos à estrutura e interferiu com a tranquilidade das populações locais que não estavam preparados para receber eficazmente um número tão elevado de pessoas e veículos. Esta situação teve como consequência um excesso de veículos estacionados nos pontos de acesso ao passadiço e nas vias envolventes, dificuldades graves na circulação de veículos (incluindo veículos de emergência), a perturbação da tranquilidade da usufruição do espaço, a disseminação de resíduos ao longo de todo o percurso e danos na vegetação ripícola.

b) Ausência de plano de gestão eficaz

A estrutura compreende uma envergadura e impacte que exigem um plano de gestão pensado e adequado, no sentido de manter o equilíbrio entre as consequências associadas ao uso desta, o meio populacional onde se encontra inserida e a conservação e gestão do património natural que a sustém. Denota-se falta de estratégias de intervenção que visem a manutenção das características únicas da paisagem e do património natural da região e o bem estar dos ecossistemas e da população.

c) Tipologia da estrutura

A Forma da estrutura escolhida apresenta algumas deficiências técnicas no que toca a inclusão de todas as faixas etárias (nomeadamente crianças) na vivência da experiência associada à visita ao passadiço. Determinados pontos apresentam risco de quedas involuntárias na escarpa.

d) Excesso de eucaliptos

Espécie exótica domina a paisagem e pode induzir em erro os visitantes menos informados, uma vez que a floresta nativa da região é composta por outras espécies vegetais. A presença de monocultura de eucalipto nas escarpas aumenta o risco de incêndio e diminui a biodiversidade.

e) Designação do percurso

A designação “passadiço” centra-se na estrutura deixando de parte a área em questão, património natural e denominada de Sítio de Importância Comunitária (SIC) Rio Paiva (Rede Natura 2000) . Há um aumento do risco da incompreensão por parte do visitante dos cuidados, deveres e sensibilidades associados ao uso da totalidade deste espaço (passadiço+paisagem protegida), bem como da forma mais responsável de vivenciar a experiência da sua visita. Muitos visitantes utilizam a estrutura para a prática de actividades inadequadas, como por exemplo, a prática de desporto.

2. Propostas:

Limitar significativamente o número de visitas de forma a não perturbar a tranquilidade do espaço;

Criação de quebras de pavimento com aproveitamento dos caminhos existentes;

Remoção das infraestruturas ilegais (bares, postos de venda ambulante,etc.);

Pontos informativos e educativos sobre o rio ao longo do percurso e informação sobre condutas incorrectas e coimas associadas;

Melhoria da estrutura por questões de segurança e impedimento de acessibilidade ao espaço envolvente (acesso ao rio e margens);

Monitorização do impacte da estrutura no ecossistema e consequente definição de estratégias de gestão mais adequadas (p. ex. parcerias com Universidades);

Avaliação do impacte causado pela afluência de visitantes;

Criação de ponto de recepção de visitantes com informação sobre a área protegida, fauna, flora, venda de artesanato/produtos locais (em alternativa à venda ambulante no passadiço) e ponto de partida de autocarros com programas e visitas guiadas / criação de uma linha de bus nos meses de maior procura;

Reflorestação das margens e encostas, com remoção de espécies exóticas (eucaliptos, acácias, etc.) e a sua substituição por espécies autóctones.

 

S.O.S. Rio Paiva – Associação de Defesa do Vale do Paiva, 6 de Novembro de 2015.

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  1 comment for “Passadiço do Paiva: SOS Rio Paiva apresenta propostas à Câmara de Arouca

  1. Franklin Freitas Pereira
    20 Agosto, 2017 at 16:29

    Caminhei em todo o passadiço e achei tudo normal as pessoas respeitavam o ambiente.(Tenho pouca formação) no que se refere fauna/flora.

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